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domingo, 5 de janeiro de 2014

QUASE



Se já o havia esquecido, era estranho como tudo o que estava relacionado a ele pudesse feri-la com tanta força. As palavras que ele proferia para se referir a ela, machucavam como ferro em brasa, pois a sinceridade daquelas palavras, não eram mais o que gostaria de ouvir. E ele, talvez soubesse do poder que tinha sobre seus sentimentos, pois caprichava em falar coisas que lhe tiravam a alegria.
Não era mais uma menina. Era uma mulher com sonhos adolescentes. Porque ainda esperava pelo príncipe no cavalo branco, mesmo sabendo que os sapos são muito mais gentis?
Durante toda a sua vida se contentou com a calmaria que aquele suposto amor lhe trazia. E quando o amor deixou de existir foi justamente na hora em que percebeu que nada lhe satisfazia e que lá fora, havia um mundo tão maior lhe esperando! Porém, estava presa num relacionamento seguro e sem emoção, mas talvez fosse aquele o verdadeiro amor e não sentimentos que pudessem magoá-la com frequência!     
Sentia vontade de mudar, mas achava o seu mundo tão seguro! Submetia-se a toda e qualquer migalha de carinho que lhe era oferecida, embora não acreditasse de fato nos gestos de quem lhe demonstrasse afeto. O afeto que esperava com todo ardor era o dele, no entanto, não mais o recebia, pois há muito ele a havia deixado. Foi embora e com ele levou todas as promessas de “pra sempre” que um dia ofereceu para iludir seu coração. Mas seu coração também estava habituado a quase nada e mesmo doendo, se conformava com isso.
E ela quase era feliz todo dia. Quase se amava mais. Quase aceitava outros amores que lhes eram oferecidos. Quase deixava aquela vida mais ou menos para viver intensamente e quase, quase o esquecia para sempre.


Célia Ramos

3 comentários:

  1. Acho interessante nossa natureza humana ter esses mecanismos de afeto e dependência!Eu quase sempre pergunto às pessoas sobre o que é o amor, em termos bíblicos mesmo, e o que percebo é que as pessoas confundem suas necessidades e carências com este sentimento nobre, que é mais voltado à dar, do que receber!Seu texto me lembrou de certas épocas da minha vida, onde apostava todas as minhas fichas em sentimentos abstratos, e unilaterais...Instintos são, as vezes,coisas muito desagradáveis de serem gerenciados minha amiga!Uma maravilhosa semana pra vc!=)

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